Negrados

Midia, cotidiano, arte, cultura e movimento

HIPSTER RUNOFF: Adoro esse blog

Auto intitulado o blog culturalmente mais celebrado da memesfera – lembrando que meme é o conceito cunhado por Richard Dawkins, biólogo evolucionista da Universidade de Oxford no seu livro “O gene egoísta” (1976) que diz que o meme, diferentemente do gene que se propaga por intermédio de espermas ou óvos, é mais como um virus, que pula de um cérebro para o outro – o Hipster Runoff, definido por Rob Harvilla, do Village Voice , como “um blog sardonico de musica”. Mantido por Carles que o mesmo Harvilla definiu como “uma figura possivelmente messianica cuja bizarra mistura de humor pueril, sátira selvagem, patetismo naive e profunda critica cultural tem deixado todo mundo encantado, aterrorizado e completamente confuso”. Vale a pena conferir.

A foto abaixo foi enviada por ele ao reporter do Village Voice, que lhe pediu para enviar uma foto. Para ver o blog, clique na foto

Carles, editor do Hipster Runoff

Carles, editor do Hipster Runoff. Foto: Davis Ayer

15, February, 2009 Posted by negrados | artes, cultura, folhetim | | No Comments Yet

Vergonha!!!

Guardem essa data: quarta-feira, 26 de novembro de 2008 porque deverá ser considerado o dia da vergonha nacional, a prova de que neste país o “voce sabe com quem está falando” ainda supera o estado de direito.

Digo isso porque ontem, por unanimidade (pasmen!) os 23 desembargadores do Tribunal de Justiça de Sao Paulo consideraram inocente o promotor Thales Schoedl.

Apenas para lembrar, ele é acusado de matar a tiros o estudante Diego Mendes Modanez, que tinha 20 anos, e de ferir Felipe Siqueira Cunha de Souza, na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista, na madrugada de 30 de dezembro de 2004. Schoedl alegou ter sido acuado por um grupo de rapazes que o ameaçavam e que teriam mexido com sua namorada. Ele afirmou ter disparado dois tiros de advertência com sua pistola semi-automática calibre 380 e, vendo que os agressores ainda avançavam, teria fechado os olhos e disparado cerca de dez tiros, dos quais quatro atingiram Felipe e dois, Diego que morreu sem ter sequer uma pedar na mao.

Desde o crime, Schoedl foi exonerado e reintegrado ao cargo de promotor por quatro vezes. A última exoneração foi no final de agosto passado, o que causou adiamento do julgamento por o promotor ter perdido o direito a foro especial. Com a reintegração, no início de outubro, por meio de uma liminar concedida pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do Supremo Tribunal Federal (STF), Schoedl voltou a receber salário de R$ 18.009,75 (mesmo sem trabalhar, por ter o exercício das funções suspenso) e a ter direito a foro privilegiado. Foi esse foro que o julgou e o inocentou e Schoedl volta livre para as ruas com esse salario pago pelo dinheiro público.

Ou seja, neste país, se voce ganha um bom salário, tem foro privilegiado e ganha automaticamente o direito de matar quem mexer com sua namorada e sair numa boa. Por unanimidade!! Em nome da honra e dos bons costumes. Voilà!

A mãe de Diego, Sônia Mendes Modanez, 50, disse que sentia vergonha de ser brasileira. E esse juri que consegui votar por unanimidade, sentem o quê?

27, November, 2008 Posted by negrados | Notícias Brasil, cultura | , , , | 1 Comment

Miss Platnum

Desde que fui apresentado ao som da romena Miss Platnum (ou Ruth Maria Renner), fiquei entusiasmadíssimo com a mistura Hip-Hop, Soul, R&B e elementos da musica Romena – que me foi apresentada por um grande amigo meu que é DJ e trabalha em Budapest.  Aliás, gosto muito de musica Romena assim como Servia e Hungara. Hoje, sem querer dei de cara com um vídeo dela no YouTube e … bem resolvi postar aqui para aqueles que nao a conhecem. Espero que gostem. O clip é da musica “Mercedes-Benz” (em tempo: achei engraçadíssimo o “transformer” que aparece aqui) do CD “Chefa” de 2007.

Se o vídeo nao funcionar, clique aqui para assistir

8, November, 2008 Posted by negrados | cultura | , , , | No Comments Yet

Porque hoje é sábado,, dia de amenidades

Depois de um longo sumico, volto a postar neste blog. E como hoje é sábado, dia de amenidades, nada melhor do que um pouco de diversao.Sendo assim, segue uma contribuicao pra unificacao ortografica do portugues



Lembrando também que a região GLÚTEA (bunda) lá chama-se CU.

Assim, quando a mãe diz que vai aplicar uma injeção na nádega do

rapaz diz ‘ vou aplicar uma pica no cu do puto’ e se for uma palmada

numa criança  fala: ‘ meto-te cinco dedos no cu, canalha’

18, October, 2008 Posted by negrados | Amenidades, Notícias Brasil, cultura | | No Comments Yet

A armadilha da cultura local

Sign in a local restaurant. A bit of the local culture and attitude. Foto All Souls

No contexto da globalização, qual voce considera o maior produto de exportação do Ocidente? Para muito além das drogas e da armas, é claro? Trata-se de uma questao difícil de responder, mas dá para sustentar que sao os valores culturais. Trata-se da afirmacão naturalmente muito polemica num mundo no qual a maioria da pessoas nao se importam com o fato de que esteja ela em São Paulo, Beijing, New York, Viena ou Mumbai, ela estará usando o mesmo jeans no mesmo tipo de shopping, bebendo a mesma cerveja e cafe, assistindo aos mesmos filmes de Hollywood e ouvindo as mesmas musica. A maioria das pessoas felizmente não se importam com isso mas muita gente se importa.

Os críticos da globalização, por exemplo, sao praticamente unânimes em se referir às forcas do mercado globalizado que na sua esteira inundam o mundo com a Cultura ocidental e sustentam que isso significa o fim da cultura local.

E é sobre isso que gostaria de convidar o eventual leitor a refletir com essa pequena nota. Sempre achei estranha essa idéia até porque as pessoas que defendem a tal cultura local sempre me pareceram estar se batendo por alguma causa própria, tipo protegendo um certo campo para sua atuação, como se a cultura local de um determinado grupo fosse a coisa mais importante a ser preservada neste mundo que está mudando e que na verdade sempre mudou. Afinal, o que é isso de cultura local.

Sempre me fiz essa pergunta e gostei muito das reflexoes que faz o escritor, professor do Departamento de Política Internacional e Estudos Políticos da Universidade de Surrey a apresentador da BBC, Kenan Malik em artigo publicado na edicao de julho/agosto da revista New Humanist.

O argumento de Malik é que o maior produto de exportação Cultural do Ocidente não são os jeans ou as músicas e os blockbusters mas, justamente a “idéia de cultura local”. Segundo ele, trata-se de nocao que se originou em fins do século 18 e hoje compreende o mundo todo. “Cada ilha do Pacífico, cada tribo na Amazônia tem sua própria cultura que quer defender da depredacao do imperialismo cultural ocidental” e o mais interessante, muitas vezes estimulados por membros dessa mesma cultura ocidental que encontram nisso verbas e financiamentos, além de espaço privilegiado em simpósios, congressos e seminários mundo afora.

O argumento central de Malik é que a idéia mesma do conceito de cultura local é uma falácia que tem sido apropriada tanto por liberais quanto por conservadores – de acordo com ele, hoje em dia multiculturalistas e afins e teóricos raciais tem credos diferentes mas a mesma visão de mundo “ambos fetichizam a diferenca, ambos buscam confinar indivíduos aos seus grupos de origem – com base na ideia de que “todo ser humano é tao formado por uma cultura particular que mudar ou solapar essa cultura seria solapar a dignidade mesma do indivíduo”. Segundo ele isso só faria sentido se judeus e bengalis, Navajos e Ianomamis “fossem biologicamente distintos – em outras palavras se identidade cultural fosse uma questão de raça” o que todos sabemos que não é. No entanto, segundo ele é exatamente isso o que no limite se encontra atrás do argumento da identidade cultural e recomendo a leitura do artigo porque ele apresenta uma argumentação muito boa, a qual creio que todos deveríamos pensar hoje em dia se queremos realmente combater qualquer tipo de racismo.

16, August, 2008 Posted by negrados | Amazonia, Notícias Mundo, cultura | , , , | 1 Comment

Uma lágrima para…

… ISAAC HAYES, “o Moisés negro”;  “A casa de máquinas musical”, que morreu no último domingo em Memphis, EUA.

Ele foi o primeiro negro a ganhar um oscar, em 1971, pelo tema do filme “Shaft”. Apesar de, com a morte dele os obituários só falarem dessa musica, minha favorita é sua épica versao da música de Burt Bacharrach e Hal David, “the look of the love” no album…To be continued” de 1970. O instrumental da abertura é familiar para o amantes do Rap porque tem sido sampleado regularmente, o mais notável é de Jay-Z na musica “Can I Live” do album Reasonable Doubt.


Para quem nao conhece a musica que mencionei, segue uma “palhinha”:

12, August, 2008 Posted by negrados | Notícias Mundo, cultura | , | No Comments Yet

Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Logo agora que finalmente eu tinha conseguido decorar tudo…

Bem, prá quem quer já ir praticando e não quer demorar mais “trocentos” anos prá decorar, seguem algumas das novas regras

Alfabeto
Nova Regra Regra Antiga Como Será
O alfabeto é agora formado por 26 letras O “k”, “w” e “y” não eram consideradas letras do nosso alfabeto. Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano
Trema
Nova Regra Regra Antiga Como Será
Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, freqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.
Acentuação
Nova Regra Regra Antiga Como Será
Ditongos abertos (ei, OI) não são mais acentuados em palavras paroxítonas assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico
Obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
Obs2: o acento no ditongo aberto “eu” continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.
Nova Regra Regra Antiga Como Será
O hiato “oo” não é mais acentuado enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo
O hiato “ee” não é mais acentuado crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem
Nova Regra Regra Antiga Como Será
Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo) para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)
Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo “poder” (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo – “pôde”) e no verbo “pôr” para diferenciar DA preposição “por”
Nova Regra Regra Antiga Como Será
Não se acentua mais a letra “u” nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de “g” ou “q” e antes de “e” ou “I” (gue, que, GUI, qui) argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, oblique
Não se acentua mais “I” e “u” tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume
Hífen
Nova Regra Regra Antiga Como Será
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por “r” ou “s”, sendo que essas devem ser dobradas ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível
Obs: em prefixos terminados por “r”, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.
Nova Regra Regra Antiga Como Será
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por “h”: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.
Nova Regra Regra Antiga Como Será
Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal. antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico
obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
obs2: uma exceção é o prefixo “co”. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal “o”, NÃO utliza-se hífen.
Nova Regra Regra Antiga Como Será
Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque, paravento
Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.
Observações Gerais
O uso do hífen permanece Exemplos
Em palavras formadas por prefixos “ex”, “vice”, “soto” ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
Em palavras formadas por prefixos “circum” e “pan” + palavras iniciadas em vogal, M ou N pan-americano, circum-navegação
Em palavras formadas com prefixos “pré”, “pró” e “pós” + palavras que tem significado próprio pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
Em palavras formadas pelas palavras “além”, “aquém”, “recém”, “sem” além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto
Não existe mais hífen Exemplos Exceções
Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais) cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc. água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa

17, July, 2008 Posted by negrados | Amenidades, Literatura, Notícias Brasil, cultura | , , | 4 Comments

A Lógica da Cultura Iluminada: a versão disléxica da Fazenda

Às vezes acho que Campinas sofre de dislexia catatônica no tocante ao reconhecimento dos sinais referentes às suas necessidades culturais. Digo isso porque a cidade, ou melhor, seus administradores – para não ficar falando em cidade, essa afigura abstrata apesar de sua concretude – apresentam uma alternância entre períodos de passividade e de negativismo e períodos de súbita excitação, sem nunca compreender o que significam os sinais que estão aí para serem lidos de forma clara e objetiva.

Nos últimos anos a cidade tem vivido um de seus períodos de excitação graças a uma secretaria de cultura que, há que se reconhecer, tem realizado atividades importantes para a auto-estima dos habitantes da cidade e eventos como o Carnaval, as festividades de Natalícias e os eventos semanais e diferentes praças da cidade, entre outras tantas atividades. E isso é muito bom porque a cidade andava de fato em baixa no que se refere a atividades que devolvessem ao cidadão seu direito inalienável de desfrutar a praça, a qual, como dizia Castro Alves, “é do povo como o céu é do condor”, coisa tão importante em nosso país a ponto de até o nosso exército homenageá-la (afinal “sentar praça” significa alistar-se nas forcas armadas ou na polícia e o termo vem da idéia de que aquele que o fazia o fazia para defender a praça, o espaço público).

No entanto, justificando o título de Fazendeiros Iluminados, nossos administradores acham por bem iluminar somente a via principal, de acesso à Casa Grande, um ou outro cômodo da mesma e outros tantos na Senzala. Explico: fazem dos eventos na praça, com entrada franca ou em troca de uns tantos gêneros alimentícios (naturalmente para beneficiar alguma entidade) o carro-chefe de sua gestão. Mais uma vez, uma bela atitude, pois é preciso beneficiar primeiro os que mais precisam, no caso, aqueles carentes de opções de lazer e cultura, atividade para a qual muitos não podem pagar. E é neste ponto que abandono as metáforas para tecer uma crítica à concepção Iluminada de Cultura de nossos administradores.

É justamente na idéia do não pagamento que mora o problema da dislexia atual. Afinal prá quê criar no público a cultura de pagar para consumir cultura? Ao invés de falar em Política Cultural, nossos administradores falam em Gestão Cultural, esquecendo-se que aquela diz respeito a ações que se configuram ao longo do tempo e, sem essa perspectiva, focam no imediato do momento presente – ou no máximo no período até a próxima eleição, pois é por isso que se faz política – o que explica a prioridade que recebe a realização de eventos que sabidamente, possibilitam os pontos positivos já reconhecido aqui, os quais são realizados por uma secretaria de gestores iluminados. Dentro dessa perspectiva, a administração trabalha captando milhões de reais anuais para a realização de eventos gratuitos com base na crença de que é isso que deve fazer o gestor da coisa pública: tirar dinheiro da iniciativa privado, quica até com um certo agiozinho para realizar eventos para os desfrute gratuito da patuléia e dos nem tanto assim.

Tudo muito apropriado exceto pelo fato que ao agir assim, os gestores da cultura iluminada não se dão conta que com isso estão arvorando para si, ou melhor, para a administração a função de produtores e realizadores culturais, às vezes inflacionando o mercado e noutras estagnando-o, sem perceber que com isso concorrem com aqueles e sem se dar conta de que ao agirem assim estão na contramão das necessidades da cidade que é possibilitar que artistas e produtores culturais desenvolvam aqui um mercado consumidor de suas obras para que com isso eles possam se fixar na cidade e não ir embora, como a lógica da Fazenda Iluminada a muitos anos teima em fazer com seus criadores, os quais não encontram aqui forma de sobreviver dignamente a partir do fruto do seu trabalho e de sua criatividade, sem ficar de pires na mão mendigando as migalhas oferecidas pelos gestores iluminados com suas contratações para shows e eventos semanais pagos só deus sabe quando, lei de incentivo cultural atrelada aos interesses da gestão, etc. Naturalmente há exceções, temos aqui artistas e produtores que criaram um nicho, desenvolveram um mercado para sua arte com compradores e fornecedores, mas que são tão poucos que essa raridade só justifica a regra: na Fazenda Iluminada, o artista, para viver, precisa ir embora. Voltarei ao tema.

11, June, 2008 Posted by negrados | Campinas, Fazenda Iluminada, cultura | , , | No Comments Yet

Morrer, verbo transitivo – Propaganda

Essa mensagem é para aqueles que estão acompanhando a história.

A página “Morrer, verbo transitivo” desse meu blog, que contém todos os capítulos do folhetim publicados até agora, foi atualizada e o visual melhorado. Acho que ficou mais fácil a leitura (aqueles quadros estavam enchendo o saco!!!)

E aguardem: as primeiras imagens das principais personagem, estão por vir

E até o final do dia, estará no ar o capítulo 9

3, June, 2008 Posted by negrados | Literatura, cultura, folhetim | , | No Comments Yet

Uma lágrima para…

…Bo Diddley (foto) , conhecido com “the originator” do Rock’n'roll. Suas músicas “Who Do You Love?” e “Hey Bo Diddley” entre outras ficaram famosas por fazerem a transição para do “rhythm and blues” para o “rock ‘n’ roll”.

O músico, cujo nome verdadeiro era Ellas Otha Bates, influenciou
gerações de roqueiros, de Buddy Holly aos Rolling Stones, passando pelo
U2, principalmente por sua técnica de tocar guitarra que enfatizava
elementos percurssivos e pela preferência por guitarras de formato
quadrado.

Morreu nesta segunda-feira, 2, de ataque cardíaco. A música popular perde um dos seus grandes gênios

No vídeo abaixo uma entrevista e ouvir um pouco de sua música

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2, June, 2008 Posted by negrados | Notícias Mundo, cultura | | No Comments Yet