Negrados

Midia, cotidiano, arte, cultura e movimento

Morrer, verbo transitivo (Cap XII) – Corrigido!!

Pessoal, a versao anterior saiu com alguns erros. Como muito bem notou a Filomena, troquei o sufixo pelo adjetivo, ou os pés pelas maos e, como sempre me acontece, penso em Morfema e escrevo Morgana. Entao, na eventualidade de o ato falho ocorrer novamente, já sabem: onde se lê, leia-se, ok?  Mas, agora está tudo corrigido. Desculpem-me. Foi mal…

XII – Adilson

Enquanto assistia ao show de Morfema, o Adjetivador – que havia notado a presença do Sufixo e o observara de soslaio enquanto este saia– pensava: Será que ele me viu? Se sim, como ele explicaria sua presença naquele local? Saberia ele que ela também o havia contratado? Estava mergulhado nesses pensamentos quando Morfema parara ao lado dele. O show havia terminado e ela o estava sensualmente convidando para ir até o camarim. O publico a tudo assistia ao som de “vai, cara” Se deu bem, hein, meu irmão! Meio sem jeito, ele aceitou a mao que Morfema lhe estendia e a segui sob os apupos da galera.

Seguiram por uma porta ao lado do pequeno palco, passaram por um corredor semi iluminado e chegaram ao camarim onde Morfema começou a se trocar enquanto falava.

- Soube do que aconteceu ao Medalhão? Perguntou ela enquanto tirava a parte de cima do seu sumaríssimo traje, ficando com os seio de fora. – Que mamas, pensou o Adjetivador enquanto respondia que que sim, que havia visto o no noticiário.

- Tenho certeza que foram eles. Disse ela, tirando a sunga e ficando totalmente nua – Eles quem perguntou ele? –A confraria. Continuou ela. Confraria? Que Confraria. E ela:

- Trata-se de uma organização secreta, da qual nunca participei mas que sei por meu “ex” que o Medalhão Fazia parte. Ele também fazia. Parte. Não sei exatamente o que eles fazem. É uma espécie de egrégora onde uns ajudam aos outros – tipo Maçonaria, entende – mas, prá falar a verdade, são mais que isso e tenho certeza de que são os responsáveis por muitas das atividades misteriosas que a polícia não consegue solucionar e que são arquivados por falta de provas. Na minha opinião, eles ao os responsáveis pelas listas.

- Interessante! Pensou o Adjetivador, enquanto dizia: Mas pelo que entendi, foi um acidente, ele …

- Acidente!! Não me diga que você também acredita nessa besteira divulgada pela SFIX-TV e pelos jornais, aliás, todos controlados pelo Medalhão.

Essa informação deixou Elliot Harper curioso: Então o Medalhão era o dono da SFIX-TV e outras mídias, era membro dessa tal Confraria, da qual o Sufixo fazia parte… Aí tem coisa, pensou ele, enquanto olhava a pela bunda de Morfema que colocava uma calca de couro preta sobre a calcinha, branca, minúscula. Percbeu que Morfema, através d espelho notara seu, olhar. Ele então desviou o olhar, disfarçando e falou:

-Vamos sair daqui. Preciso de um café, num lugar tranqüilo – se não vou te acarrega, pensou ele, sem dizer essa última frase.

Saíram pela rua da Praça centenária que celebrava a Republica e foram cominhado, passando por bêbados, travestis, michês prostitutas, senhoras da sociedade, casais de namorado – Isso é que é espírito republicano, pensou ele observando aquele mosaico étnico-social-sexual. Um lugar traquilo onde todos convivem livremente em ordem e em segurança

Andaram cerca de 20 minutos até chegarem ao café Ulisses, seu predileto, e que ficava numa ruela não tão movimentada. Entraram, pediram um Café e como Morfema queria fumar e o local não vendia a marca que ela gostava, o Adjetivador se prontificou a ir até a máquina mais próxima, que ficava na próxima esquina, comprar. Morfema agradeceu a gentileza, espantando-se com tanto cavalheirismo, escolheu uma mesa de onde ainda viu o Adjetivador sair pela porta, e epensou consigo: Esse já está no papo!! O plano andava conforme previsto. E, ainda que o Sufixo nao devesse estar lá naquela noite – Será que o Adjetivador o vira? – as coisas estavam totalmente sob controle

Ao chegar à rua, Elliot Harper olhou para os dois lados e se perguntou – Qual esquina, cacete? Vacilou ainda um minuto e saiu andando para a direita. Foi caminhando e ao chegar na esquina nada. Não tinha máquina de cigarros naquela esquina. Não se ganha sempre, pensou ele. Ia voltar quando viu, a uns 100 metros dali o Sufixo, que entrava no carro, acompanhado mas que de onde se encontrava o Adjetivador só viu os vultos. Dois. Ou duas. Não dava prá perceber. Apenas dava para notar que aprentemente eram bem menores que o Sufixo. Elliot Harper não conseguiu distinguir ao certo. Pensou em pegar um taxi e seguir o carro mas lembrou-se de Morfema e decidiu voltar ao Café. Queria saber mais sobre as tais listas. Se eram mesmo o Jyotisha, a prática que se ocupava da astrologia e da astronomia com o intuito de prever os dias mais favoráveis para a realização de sacrifícios.e do Kalpa, a disciplinas que regulavam a pratica de rituais as, no caso da segunda, e no da primeira.

Se fossem mesmo ligadas a essas disciplinas, a história toda começava a fazer sentido. Uma confraria, mortes, silabas menores… Enquanto andava, ia pensando nessas coisas e num momento, olhou para o céu. A lua havia desaparecido.

- Noite sem lua, constatou. E um arrepio percorreu-lhe o corpo todo.

2, July, 2008 Posted by negrados | folhetim | , | 3 Comments